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Ganho de peso nas férias

Vera Lucia Perino Barbosa, Dra. em Ciências da Saúde

As férias tão esperadas pelas crianças e adolescentes se tornam um pesadelo para os profissionais que trabalham com a obesidade infantil. Todo o trabalho realizado durante o ano letivo muitas vezes é totalmente perdido nas férias.

Estudo realizado pelo Research Center at Baylor College of Medicine mostrou que crianças ganham peso durante as férias de verão, no entanto, durante o ano letivo elas perdem peso. A pesquisa foi incluída em uma edição recente no Journal of School Health, na qual foi observado que todas as crianças ganham peso durante as férias, no entanto o ganho de peso é mais significativo entre as crianças com sobrepeso e obesidade.

Criança e videogame

Existem várias explicações possíveis para o ganho de peso durante as ferias em comparação com o ano letivo. Uma delas segundo a autora do estudo é que a escola proporciona mais estrutura e as crianças não tem acesso ilimitado à comida durante o dia. Já no período de férias provavelmente elas tem maior acesso aos alimentos ao longo do dia, e também deixam de realizar atividade física, e assumem um comportamento mais sedentário, ficam mais em frente à TV e horas em frente ao computador.

A pesquisadora aponta que deve ser dada mais atenção na alimentação e atividade física no período das férias, e que esta atenção não dever ser somente para aquelas crianças que estão com sobrepeso ou obesa, e sim para todas, assim prevenindo a obesidade.

No Instituto Movere as férias para as crianças e adolescentes sempre são bem vindas, porém não posso deixar de concordar que se deva ter maior atenção com alimentação e a atividade física. O que foi observado nas crianças atendidas no Movere, é que a falta de rotina nas férias, leva ao consumo excessivo de alimentos e a falta de atividade física.

Considerando o estudo realizado e o que observamos no Movere elaboramos um material com recomendações e sugestões nas áreas da nutrição e atividade física, para ser entregue aos pais antes do inicio das férias.

Com esta metodologia conseguimos resultados significativos, das 94 crianças e adolescentes atendidos, 60% mantiveram o peso e 40% tiveram um ganho de peso bem menor comparado com o grupo que não recebeu o material das recomendações.

Sendo assim, verificamos com o estudo citado e os resultados observados pelo Movere, a importância da manutenção de certas rotinas para crianças e adolescentes, adaptadas para o período de férias, ajudando assim na prevenção da obesidade.

10 anos de Instituto Movere – Uma organização que transforma vidas

Vera Lucia Perino Barbosa, Dra. em Ciências da Saúde

Ao celebrar 10 anos de Instituto Movere, faço uma retrospectiva de seus resultados, acertos, erros, desafios e oportunidades.

Criado em 2004, o Instituto Movere tinha uma missão desafiadora, prevenir e tratar a obesidade em crianças, adolescentes e famílias em situação de vulnerabilidade social.

Missão desafiadora que pude acompanhar e participar com mais de 3000 atendimentos de crianças, adolescentes e famílias, e capacitação de mais de 1000 profissionais da área de saúde e afins que hoje atendem a mesma demanda em suas comunidades, impactando um número também expressivo de crianças e adolescentes.

Os projetos realizados pelo Movere impactaram parâmetros importantes na saúde das crianças, adolescentes e suas famílias, refletindo para a prevenção das doenças crônicas não transmissíveis, e na mudança comportamental, um dos pilares para o tratamento.

Os excelentes resultados do Movere não se limitaram aos atendidos, eles ultrapassaram as portas da instituição e ganharam o mundo, sendo divulgados em importantes congressos nacionais e internacionais, por meio de premiações e organizações, entre eles, o Programa Crescer, da Pepsico do Brasil que ficou entre os 10 melhores projetos do Brasil, Prêmio Saúde, Prêmio Betinho, ILSI e BrazilFoundation.

Meus esforços valeram à pena. O Movere foi um divisor de águas em minha vida. Acreditava que estava transformando a vida das pessoas, mas não percebi que no processo também estava transformando a minha. E toda transformação, mesmo com suas dificuldades é acompanhada de méritos, e assim fui agraciada e tive o privilegio de receber uma indicação como empreendedora social para rede Ashoka, no qual hoje faço parte, uma rede que acredita que pode mudar o mundo.

Meu desejo era de que o trabalho do Movere durasse para sempre. Como fazer isto? Como garantir a continuidade deste sonho? Com estes questionamentos em mente, mais uma vez mergulhei no mundo do empreendedorismo, com a ajuda da Artemisia Negócios Sociais, criamos um empreendimento visando sustentabilidade e impacto social com parte dos lucros reinvestidos nos projetos sociais.

Em 10 anos de acertos, erros, desafios e oportunidades, posso dizer com propriedade, que o sucesso exigiu determinação, coragem e paixão. E o melhor de tudo foi ter a oportunidade de compartilhar este sonho, com muitas pessoas, estagiários, investidores, parceiros, colaboradores e voluntários, que cresceram com a entidade e hoje carregam a semente do Movere. Destas sementes germinaram publicações científicas, dissertações de mestrado, doutorados, capítulos de livro e até mesmo o meu livro.

Com tanta coisa para celebrar resolvemos comemorar estes 10 anos do Movere, de cara nova, ou melhor, de site novo, desenvolvido por um destes colaboradores citados anteriormente, Douglas Silvério Maria, que conseguiu sintetizar visualmente todo o trabalho realizado pela entidade. Obrigada de coração pelo seu empenho e amizade.

Não posso deixar de agradecer também a todos que direta e indiretamente fizeram parte da nossa história, porque nada se consegue sozinho. Gostaria de citar aqui todos os nomes, mas a lista é grande, e tenho medo de esquecer alguém e ser injusta. Sendo assim quero que cada um de vocês ao ler este texto, e que participaram da nossa história, sinta-se abraçado bem forte e receba meu muito obrigado por participarem deste meu sonho.

Vera Lucia Perino Barbosa
Presidente do Instituto Movere

Sono como prevenção para a obesidade em crianças

Vera Lucia Perino Barbosa, Dra. em Ciências da Saúde

A diminuição do tempo de sono tem se tornado uma condição endêmica na sociedade moderna.

Tendo em conta que o excesso de peso continua a aumentar entre as crianças e adolescentes e que as insônias são cada vez mais comuns na nossa sociedade, é importante ter em atenção os hábitos de sono e em especial os hábitos de sono dos seus filhos para prevenção de obesidade e outras doenças.

Sono

A falta de sono pode aumentar o risco de problemas com o peso, pois estimula os hormônios que influenciam o apetite, levando as crianças a comerem mais.

Além disso, a perda do sono contribui para uma fadiga no dia seguinte, com queda no rendimento da atividade física e, consequentemente, no gasto de calorias.
A obesidade é reconhecida também como o principal fator de risco para SAOS (Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono).

Na presença de obesidade, vários problemas podem ocorrer na região da orofaringe que predispõe a SAOS, como relaxamento da musculatura, amídalas grandes, recuo da base da língua agravado pela posição do queixo e respiração bucal. A natureza não preparou o ser humano para ser obeso. O excesso de peso interfere negativamente sobre o ronco, sono e qualidade de vida.

A SAOS resulta em desaturação de oxigênio e despertares durante o sono. Os sintomas incluem ronco, sonolência diurna excessiva, fadiga diurna, concentração diminuída e podem causar prejuízo no aspecto social, afetando negativamente a qualidade de vida.

Sintomas estes relatados pelos pais das crianças e adolescentes que frequentam o projeto do Instituto. Muitas vezes estas crianças e adolescentes são tidas como preguiçosas, que não gostam de fazer exercício, não gostam de estudar, portanto é necessário mais investigações e estudos sobre o sono em crianças e adolescentes.

Descobertas recentes apontam que a falta de sono em crianças e adolescentes pode sim afetar o peso. Embora tenha havido estudos que mostram essa relação em adultos, há poucos estudos que mostram isso de forma objetiva em crianças.

Especialistas do Centro de Pesquisa de Nutrição do USDA / ARS Infantil no Baylor College of Medicine mostrou em um estudo recente publicado no BMC Public Health que crianças de baixa renda obesas dormiam menos do que as crianças com peso adequado.

No estudo foram recrutadas crianças de 14 centros comunitários na cidade de Houston. As crianças usaram acelerômetros, ou monitores de atividade, durante 24 horas por dia ao longo de sete dias.

Das 483 crianças hispânicas e negras com idade entre 9 e 12 anos, apenas 12 dormiam as 10 a 12 horas de sono recomendadas pela Fundação Nacional do Sono. O estudo também descobriu que crianças obesas dormiam menos do que as crianças com um índice de massa corporal normal e que as meninas tendem a dormir menos do que os rapazes.

“Existem vários fatores sociais, culturais e biológicos que poderiam estar desempenhando um papel nestas crianças não dormir o suficiente”, A Fundação Nacional do Sono faz as seguintes recomendações para o sono em crianças:

• Recém-nascidos (1-2 meses de idade): 10.5 a 18 horas por dia
• As crianças (3 aos 11 meses de idade): 9 a 12 horas de sono por noite
• 1 a 3 anos de idade: de 12 a 14 horas de sono por noite
• 3 a 5 anos de idade: 11 a 13 horas de sono por noite
• 5 a 12 anos: 10 a 11 horas de sono por noite

A Fundação também oferece as seguintes dicas para os pais para ajudar seus filhos a ter um sono adequado:

• Estabelecer e manter uma programação de rotina de dormir e sono regular
• Tornar o ambiente de sono fresco, silencioso e escuro
• Não mantenha uma televisão ou computador no quarto