Sono como prevenção para a obesidade em crianças
14 de abril de 2014 - Vera Perino

Vera Lucia Perino Barbosa, Dra. em Ciências da Saúde

A diminuição do tempo de sono tem se tornado uma condição endêmica na sociedade moderna.

Tendo em conta que o excesso de peso continua a aumentar entre as crianças e adolescentes e que as insônias são cada vez mais comuns na nossa sociedade, é importante ter em atenção os hábitos de sono e em especial os hábitos de sono dos seus filhos para prevenção de obesidade e outras doenças.

Sono

A falta de sono pode aumentar o risco de problemas com o peso, pois estimula os hormônios que influenciam o apetite, levando as crianças a comerem mais.

Além disso, a perda do sono contribui para uma fadiga no dia seguinte, com queda no rendimento da atividade física e, consequentemente, no gasto de calorias.
A obesidade é reconhecida também como o principal fator de risco para SAOS (Síndrome de Apnéia Obstrutiva do Sono).

Na presença de obesidade, vários problemas podem ocorrer na região da orofaringe que predispõe a SAOS, como relaxamento da musculatura, amídalas grandes, recuo da base da língua agravado pela posição do queixo e respiração bucal. A natureza não preparou o ser humano para ser obeso. O excesso de peso interfere negativamente sobre o ronco, sono e qualidade de vida.

A SAOS resulta em desaturação de oxigênio e despertares durante o sono. Os sintomas incluem ronco, sonolência diurna excessiva, fadiga diurna, concentração diminuída e podem causar prejuízo no aspecto social, afetando negativamente a qualidade de vida.

Sintomas estes relatados pelos pais das crianças e adolescentes que frequentam o projeto do Instituto. Muitas vezes estas crianças e adolescentes são tidas como preguiçosas, que não gostam de fazer exercício, não gostam de estudar, portanto é necessário mais investigações e estudos sobre o sono em crianças e adolescentes.

Descobertas recentes apontam que a falta de sono em crianças e adolescentes pode sim afetar o peso. Embora tenha havido estudos que mostram essa relação em adultos, há poucos estudos que mostram isso de forma objetiva em crianças.

Especialistas do Centro de Pesquisa de Nutrição do USDA / ARS Infantil no Baylor College of Medicine mostrou em um estudo recente publicado no BMC Public Health que crianças de baixa renda obesas dormiam menos do que as crianças com peso adequado.

No estudo foram recrutadas crianças de 14 centros comunitários na cidade de Houston. As crianças usaram acelerômetros, ou monitores de atividade, durante 24 horas por dia ao longo de sete dias.

Das 483 crianças hispânicas e negras com idade entre 9 e 12 anos, apenas 12 dormiam as 10 a 12 horas de sono recomendadas pela Fundação Nacional do Sono. O estudo também descobriu que crianças obesas dormiam menos do que as crianças com um índice de massa corporal normal e que as meninas tendem a dormir menos do que os rapazes.

“Existem vários fatores sociais, culturais e biológicos que poderiam estar desempenhando um papel nestas crianças não dormir o suficiente”, A Fundação Nacional do Sono faz as seguintes recomendações para o sono em crianças:

• Recém-nascidos (1-2 meses de idade): 10.5 a 18 horas por dia
• As crianças (3 aos 11 meses de idade): 9 a 12 horas de sono por noite
• 1 a 3 anos de idade: de 12 a 14 horas de sono por noite
• 3 a 5 anos de idade: 11 a 13 horas de sono por noite
• 5 a 12 anos: 10 a 11 horas de sono por noite

A Fundação também oferece as seguintes dicas para os pais para ajudar seus filhos a ter um sono adequado:

• Estabelecer e manter uma programação de rotina de dormir e sono regular
• Tornar o ambiente de sono fresco, silencioso e escuro
• Não mantenha uma televisão ou computador no quarto

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